BIOESTIMULAÇÃO DE PLANTAS CULTIVADAS

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A agricultura moderna demanda constantemente o uso de ferramentas alternativas que visam aumentar a produtividade das lavouras. A procura de tecnologias mais adequadas para uma agricultura sustentável e rentável tem promovido a procura de novos produtos que possam regular a eficiência de diferentes processos fisiológicos nas plantas, induzir respostas defensivas e aumentar a produtividade, vitalidade e/ou qualidade de inúmeras culturas tem possuem relevância comercial. Portanto, neste caso, os bioestimulantes constituem uma opção no manejo dos agricultores, com o objetivo de aumentar o rendimento das culturas e contribuir com a sustentabilidade do sistema produtivo (Vasconcelos 2006).

O termo bioestimulantes se refere à mistura de produtos à base de hormônios, substâncias húmicas, aminoácidos, algas marinhas, metabólitos microbianos e micronutrientes que tem sido usado nas lavouras com intuito de proteger as plantas, através da melhoria das respostas adaptativas aos estresses ambientais. São aplicados em baixas quantidades no solo ou na planta, minimizam os efeitos negativos do estresse, promovendo melhorias no crescimento, desenvolvimento e produtividade das culturas principalmente quando submetidas a algum estresse ambienta Klahold et al. (2006).

Considerados como um complemento aos métodos tradicionais de produção, os bioestimulantes foram inseridos em sistemas de produção, com o objetivo de modificar os processos fisiológicos em plantas de forma a otimizar a produtividade. Especialmente nos últimos vinte anos, os bioestimulantes tem demostrado excelente potencial no que tange ao aumento de produtividade, e tem sido adotado tanto pela comunidade científica quanto por grandes empresas comerciais como uma opção associada aos métodos tradicionais.

Diversos resultados de pesquisa demonstram que algumas culturas têm obtido ganhos significativos em diferentes componentes de produção, como nos trabalhos de Alleoni et al. (2000) em feijão, quando observaram que a utilização de bioestimulantes favoreceu alguns parâmetros produtivos da cultura, como peso de 100 sementes e produtividade; Vieira & Castro (2004) e Albrecht et al., (2009), em algodão, observaram que os bioestimulantes podem aumentar a porcentagem de emergência das plântulas e a velocidade de crescimento radicular, além de originar plântulas mais vigorosas. Klahold et al. (2006), Ávila et al. (2008) e Campos et al. (2008), em soja, mostraram que os bioestimulantes podem influenciar a germinação e a biomassa da matéria seca das sementes e promover o crescimento das plantas em altura.

Deste modo o conhecimento sobre a composição destes produtos e sua utilização, se torna de grande importância, uma vez que o agricultor tem requisitado cada vez mais ferramentas com o objetivo de aumentar o rendimento por área e consequentemente padrões sustentáveis de manejo.

 

EXTRATO DE ALGAS

 

São um complexo orgânico rico em compostos, como hormônios, precursores hormonais, proteínas, aminoácidos e oligossacarídeos. Esses compostos atuam melhorando o desempenho vegetal por intermédio de alterações fisiológicas, bioquímicas e da expressão de genes nas plantas, facilitando a absorção de macro e micronutrientes e conferindo uma maior tolerância a estresse causado por condições ambientais favorecendo sua recuperação de forma mais rápida. Os componentes presentes nos extratos de algas também aceleram o processo de germinação, conferindo melhor enraizamento e arranque inicial, acelerando o desenvolvimento vegetativo, o que propicia plantas com mais vigor e potencial produtivo.

Os extratos de algas têm sido utilizado como bioestimulante em diversas culturas e tem aumentado principalmente por ser alternativa ao uso de fertilizantes e por ser ecologicamente correto (Abreu et al, 2008). Diferentes espécies são estudadas por terem propriedades que estimulam o crescimento vegetal e a resistência de plantas às doenças (Ugarte et al., 2006). Resultados positivos têm sido alcançados com o uso de extrato de algas em soja e milho (Galindo et al., 2015; Fernandes et al., 2011) mas as pesquisas são mais intensas em outras culturas como o café (Fernandes & Silva, 2011) e também em espécies frutíferas.

 

HORMÔNIOS

 

Hormônio vegetal é um composto orgânico, de função não nutricional que, quando aplicado exogenamente na planta em baixas concentrações possuem ações similares aos grupos de hormônios vegetais promovendo, inibindo ou modificando processos morfológicos e fisiológicos de um vegetal, tais como germinação, enraizamento, floração, frutificação e senescência. Essas substâncias também agem modificando a morfologia e a fisiologia da planta, podendo-se levar a alterações qualitativas e quantitativas na produção. Os hormônios naturais são essencialmente “mensageiros químicos”, que exercem influência sobre o desenvolvimento de diversos órgãos da planta. Pode-se citar como exemplos de biorreguladores os hormônios vegetais: auxinas, giberelinas, citocininas, etileno, retardadores e inibidores. Além dos hormônios vegetais clássicos existem também outros compostos que apresentam efeitos similares aos hormônios, podendo afetar o crescimento e o desenvolvimento vegetal como os brassinosteroides, as poliaminas, o ácido jasmônico e o ácido salicílico.

 

AMINOÁCIDOS

 

Os aminoácidos possuem como principal característica um grupo carboxila e um grupo amino ligados ao mesmo átomo de carbono, estes aminoácidos diferem entre si por meio de suas cadeias laterais ou grupos R, estas cadeias laterais variam em estrutura, tamanho e carga elétrica, que formam um grupo de aminoácidos essenciais. As plantas sintetizam e utilizam mais de 300 aminoácidos diferentes, dos quais usam apenas 20 para a síntese de proteínas, enzimas e hormônios tão necessários à manutenção da vida. Quando se fornece aminoácidos livres para uma planta, ela os absorve diretamente e faz uso imediato. Com isso, nas fases de floração, frutificação e maturação a planta fica livre do trabalho de sintetizar parte dos aminoácidos, proporcionando uma notável economia de energia.

Vários benefícios são atribuídos aos aminoácidos: função nutritiva na germinação, síntese de precursores hormonais, regulação do balanço hídrico em condições de estresse, formação das proteínas, fonte de nitrogênio, transporte de nutrientes para flores, frutos, folhas, gemas e raízes, uniformização do crescimento, maturação e coloração dos frutos. Pesquisas recentes atestam os efeitos positivos da aplicação de produtos à base de aminoácidos, observou-se geralmente a melhoria de parâmetros relacionados a produtividade, e respostas das plantas a estresses abióticos.

 

ÁCIDOS ORGÂNICOS

 

Constituem a fração mais importante, estável e rica em nutrientes da matéria orgânica, formando compostos metabólicos que melhoram o desenvolvimento das plantas. Ácidos húmicos e fúlvicos estimulam vários processos bioquímicos nas plantas, ativando o aparato fisiológico de forma a permitir a máxima absorção e aproveitamento dos nutrientes, atuando na síntese de precursores hormonais e outros compostos metabólicos que contribuem para um desenvolvimento radicular e vegetativo mais efetivo e uma rápida recuperação das plantas em condições de estresse.

 

ARXADA NO CONTEXTO DE BIOESTIMULAÇÃO E MITIGAÇÃO DE ESTRESSE VEGETAL

 

Com o objetivo de contribuir com o maior potencial produtivo das culturas a arxada Crop Protection, traz para o mercado uma nova solução que atuará no cenário de bioestimulação e mitigação de estresse vegetal. O Vigrow Potency, é uma tecnologia desenvolvida pela arxada, que apresenta em sua composição o extrato de alga de Kappaphycus alvarezii e uma molécula orgânica de potencialização energética com ação também em redução de estresse, sendo assim, apresentando uma tecnologia inovadora para o mercado de estimulação de plantas.

O Vigrow Potency, atuará na redução das espécies reativas de oxigênio gerada por diferentes estresses que a planta passa em seu desenvolvimento, e também através da sua molécula de potencialização energética, o processo de produção de energia para a planta também será potencializado, conferindo assim uma planta robusta para suportar diferentes adversidades bióticas e abióticas que essa planta possa passar. O Vigrow Potency, vem para somar ao já consagrado manejo de potencialização de herbicidas e fungicidas da Arxada Crop Protection, buscando a maximização do potencial produtivo das culturas.

  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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VIEIRA, E. L.; CASTRO, P. R. C. Ação de bioestimulante na cultura da soja (Glycine max (L.) Merrill). Cosmópolis: Stoller do Brasil, 2004.